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Tecnologia médica
Setor de Saúde debateu em São Paulo os
benefícios
Setor de Saúde debateu em São Paulo os
benefícios da tecnologia médica
A Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e
Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed) promoveu, no último dia 27 de
maio, o Painel “Impactos e Benefícios da Tecnologia Médica na Saúde”
durante a Hospitalar 2010, em São Paulo. O evento reuniu os
representantes de suas empresas associadas, da indústria, da área
acadêmica, do Governo Federal, dos setores prestadores de serviço e das
associações do setor de saúde.
Os conferencistas foram o secretário técnico de Biotecnologia e Saúde da
FINEP – Financiadora de Estudos e Pesquisas, Dr. Gilberto Hauagen Soares
o Superintendente Corporativo do Hospital Sírio-Libanês, Dr. Gonzalo
Vecina Neto o Presidente do Capítulo Brasil da ISPOR – International
Society for Pharmacoenomics and Outcomes Research, Dr. Stephen Stefani a
Presidente Executiva da Sociedade Brasileira de Profissionais em
Pesquisa Clínica, Dra. Greyce Lousana e o Diretor-Sócio do Monitor
Group, Gustavo Zevallos. O debate foi mediado pela pediatra e Mestre em
Economia Dra. Lindália Vieira.
O presidente executivo da Abimed, Carlos Goulart, abriu o debate
abordando os impactos positivos das incorporações de novas tecnologias
na sociedade. “Muitas vezes as discussões se restringem aos custos de
aquisição da tecnologia e de procedimentos, sem uma adequada avaliação
dos ganhos de longo prazo, como a redução de custos de tratamento no
futuro, a eliminação de procedimentos invasivos e, acima de tudo, a
promoção de uma melhor qualidade e perspectiva de vida dos cidadãos.
Vale citar o caso do Japão, onde a incorporação de novas tecnologias
demora cerca de três a quatro anos, uma defasagem enorme em relação à
Europa e aos EUA”, ressaltou.
Greyce Lousana traçou uma linha histórica da evolução dos tratamentos
médicos e de seus equipamentos. “A tecnologia, sem dúvida, trouxe
diversos avanços na medicina. Atualmente, o profissional médico é
respaldado nos diversos exames, documenta melhor seu prontuário e
consegue prevenir muitas doenças. A tecnologia faz com que os homens
vivam mais. É importante também que os profissionais da saúde trabalhem
em bons projetos de pesquisas com essas novas tecnologias”.
Na visão dela, o Brasil precisa evoluir bastante na área de pesquisa na
saúde. Segundo dados citados em sua palestra, entre 2005 e 2008, o país
teve um crescimento de 53% em projetos de pesquisa clínica. “O Brasil
foi um dos países que mais cresceu em pesquisa clínica no mundo. Porém,
nossa capacidade de condução de pesquisa não chega a 10%, bem abaixo de
países de primeiro mundo. Ainda temos problemas na área governamental.
Evoluímos muito, mas o setor de produto de saúde ainda enfrenta muitas
dificuldades na aprovação técnica e incorporação de novas tecnologias”,
afirma.
De acordo com. Gonzalo Vecina, os avanços da tecnologia médica também
proporcionam melhoria da qualidade de vida e da cidadania. “A saúde é um
instrumento de transformação e inclusão social”, afirmou.
Vecina também abordou questões éticas relacionadas ao setor. “A
tecnologia e a sua adequada utilização pode transformá-la em saúde. Nós
hoje praticamos uma medicina intervencionista no campo da recuperação e
fazemos pouco em termos de promoção e prevenção. E temos dificuldade em
medir a incorporação de novas tecnologias. Devemos medir não somente os
custos, precisamos nos preocupar com a sustentabilidade, a segurança
holística e a regulação do setor de saúde”, alertou.
Na opinião de Gustavo Zevallos, para se obter um sistema de saúde de
qualidade é necessário o aprimoramento da saúde como um todo,
principalmente quando se trata de fatores tecnológicos. “É preciso
aprimoramento físico, com equipamentos que possibilitem melhorias
físicas emocional, com novas maneiras de aperfeiçoar a interação do
paciente com o mundo humano, com a reavaliação do conceito de
envelhecimento, e melhorar a medicina regenerativa, a pesquisa com
células-tronco e a biologia sintética e molecular”.
Gilberto Hauagen Soares, da FINEP, ressaltou o reflexo do impacto das
novas tecnologias na economia do país. “O crescimento da expectativa de
vida é uma realidade mundial e o aumento da demanda social acarreta
problemas no sistema previdenciário e na economia de cada Estado. O
desejo é que todos os atores deste segmento tenham como foco que a
atividade tem uma finalidade mais nobre: a busca da vida com mais
qualidade”, alertou.
Já para o Stephen Stefani, na balança do custo da saúde é preciso ter de
um lado a base científica e do outro as despesas. “O estudo dos impactos
e benefícios deve ter como reflexo a qualidade de vida, ou seja, dados
que analisem custos e efetividade com o desfecho com mais anos de vida,
prevenção de doenças, entre outros fatores”, afirmou.
Os debatedores chegaram ao consenso de que o investimento tecnológico em
equipamentos médicos no Brasil ainda está longe de atingir valores que
atendam às necessidades dos pacientes. Concordaram também que, para se
obter melhorias significativas, será necessário não só investimento em
equipamentos médicos, mas também nas áreas acadêmica, profissional e
social. |