Implantes cardíacos

UNIFESP desenvolve bioprótese para implantes

UNIFESP DESENVOLVE BIOPRÓTESE PARA IMPLANTES CARDÍACOS

Produto está em fase final de testes e teria custo 50% menor do que o similar importado, podendo vir a ser oferecido pelo SUS

São Paulo, 14 de dezembro - Um estudo da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) resultou no desenvolvimento da primeira bioprótese de válvula aórtica nacional para implantes cardíacos por cateterismo que poderia reduzir pela metade o custo do produto.

Atualmente existem apenas duas próteses deste tipo aprovadas e disponíveis no mercado mundial, sendo que somente uma delas tem a comercialização autorizada no Brasil, ao custo de aproximadamente R$ 100 mil. O produto desenvolvido pelos especialistas da Unifesp em parceria com a empresa Braile Biomédica, de São José do Rio Preto (SP), e apoio da Fapesp (Fundação de Apoio à Pesquisa do Estado de São Paulo) poderá ser vendido a um custo praticamente 50% menor, segundo estudos iniciais, possibilitando a distribuição por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).

A nova válvula foi desenvolvida com base em duas tecnologias já utilizadas pela empresa, que são as válvulas clássicas de pericárdio bovino e os stents aórticos desenvolvidos há dez anos também em parceria com a UNIFESP.

Confeccionada à base de pericárdio bovino envolvido por uma estrutura metálica de aço inoxidável, a prótese está em fase final de testes e deverá ser encaminhada no início de 2010 para análise da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), órgão responsável pela regularização do produto no Brasil.

“Os testes realizados indicaram que o produto tem a mesma qualidade dos importados, com desempenho muito semelhante, mas com o diferencial de que, por ser mais barato, poderá ser oferecido pelo SUS”, diz o cirurgião cardiovascular Diego Gaia, autor da tese de doutorado que resultou no desenvolvimento do produto. O estudo foi coordenado pelo professor Dr. Enio Buffolo, da Disciplina de Cirurgia Cardiovascular da Unifesp.

“Trata-se de um grande avanço para a cirurgia cardíaca no Brasil, pois vai permitir que a técnica seja difundida em todo o País permitindo um tratamento de ponta na rede pública”, diz o professor Doutor José Honório de Almeida Palma da Fonseca, docente da disciplina de Cirurgia Cardiovascular da Unifesp e orientador da tese.

As pesquisas para o desenvolvimento da bioprótese nacional vêm sendo feitas há quatro anos, quando tiveram início os testes laboratoriais e com animais. Desde o final do ano passado, o grupo que coordena a pesquisa, que reúne cerca de 50 profissionais entre médicos, engenheiros e técnicos, fez o implante da prótese e vem acompanhando 21 pacientes.

A prótese é utilizada na substituição, via cateter, da válvula aórtica, procedimento necessário nos quadros de estenose aórtica grave, que é um estreitamento irregular da válvula aórtica que dificulta o fluxo sanguíneo do coração para o corpo todo.

Estenose aórtica

A estenose aórtica é uma das doenças cardíacas mais comuns em todo o mundo e afeta cerca de 3% da população acima dos 75 anos de idade. Mais de um terço dos pacientes nessa faixa etária apresenta contra-indicação para a cirurgia convencional, para os quais recomenda-se o implante da prótese pela cirurgia minimamente invasiva, com uso de cateter. Neste tipo de cirurgia, o procedimento é realizado com o coração em funcionamento, enquanto na técnica convencional o órgão para de bater.

“É uma alternativa somente para pacientes que já tenham passado por cirurgias cardíacas, estão com idade avançada ou apresentam quadro com outras doenças, casos nos quais a cirurgia convencional é contra-indicada por registrar óbitos acima de 20% dos procedimentos”, diz Gaia. “O risco é menor por ser uma cirurgia minimamente invasiva”, diz o especialista.

A implantação da válvula aórtica transcateter é feita por meio de um corte de aproximadamente 5 centímetros, enquanto na cirurgia convencional é feito um corte que pode chegar a 30 centímetros. No procedimento via cateter, o paciente recebe alta dentro de 5 a 10 dias, retomando as atividades normais no prazo de 15 dias. Com a cirurgia convencional, o período para alta é entre 7 a 15 dias, com a rotina normal sendo retomada em dois ou três meses.

Sobre a UNIFESP

Criada em 1933 por um grupo de médicos reunidos em uma sociedade sem fins lucrativos, a Escola Paulista de Medicina (EPM) foi federalizada em 1956 e, em 1994, transformada em Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), primeira universidade especializada em saúde no País, abrigando em seu currículo de graduação os cursos de Medicina, Enfermagem, Fonoaudiologia e Tecnologias Oftálmica e Radiológica.

Em 2005, iniciou-se o projeto de expansão com a criação do campus Baixada Santista. Em 2007, dando seguimento ao processo de ampliação, a Unifesp implantou os campi de Diadema, Guarulhos e São José dos Campos. O ambicioso processo de expansão fez com que a Universidade saltasse de um para cinco campi e de cinco para 26 cursos. Com os novos campi, a Instituição deixou de atuar exclusivamente no campo da saúde, inaugurando cursos nas áreas de humanas (Guarulhos), exatas (São José dos Campos) e Biológicas (Diadema). Atualmente, a Instituição conta com 4.545 alunos matriculados nos cursos de graduação, além de 17.400 nos cursos de pós-graduação e demais programas de especialização, residência, mestrado e doutorado. A Unifesp possui 883 docentes, sendo que 93% possuem título de doutor, um percentual que marca a qualidade de ensino oferecida pela maior universidade federal do País. Em 1940 a universidade, então Escola Paulista de Medicina, inaugurou o Hospital São Paulo, primeiro hospital-escola do País, hoje localizado junto ao Campus São Paulo, instalado no bairro Vila Clementino.