Portadores de DPOC
ABP - DPOC comemora 10 anos de conquistas
 
Associação Brasileira de Portadores de DPOC comemora 10 anos de conquistas

Tratamento gratuito na rede pública de saúde é uma das bandeiras da entidade, que defende os direitos dos portadores da doença

A DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica) é um mal sem cura, causado principalmente pelo cigarro, que acomete cerca de 15% dos 32 milhões de brasileiros fumantes ou ex-fumantes com mais de 40 anos. Logo, estima-se que sete milhões de pessoas no país sejam portadoras da doença, que provoca sintomas respiratórios como falta de ar, tosse e cansaço. Apesar da alta incidência, a doença é pouco conhecida e subdiagnosticada. A Associação Brasileira de Portadores de DPOC, que em 2010 celebra 10 anos de existência, é uma das vozes ativas para a conscientização de médicos, pacientes e poder público sobre a doença. Ao longo desse período, muitas conquistas foram alcançadas, como a melhoria do atendimento ao paciente com DPOC na rede pública de saúde, em algumas regiões do país. Atualmente, várias missões norteiam o trabalho da entidade, entre elas, expandir o atendimento gratuito, formar mais serviços ambulatoriais de pneumologia e melhorar a qualidade de vida dos pacientes, por meio da terapia nutricional adequada e da reabilitação pulmonar.

Para o presidente da associação, Manoel de Souza Machado, o tratamento da doença evoluiu consideravelmente nos últimos anos, mas ainda há muito a ser feito. “Nossa campanha agora é pela conscientização dos médicos, especialmente dos que atuam na gestão dos serviços de saúde, para que melhore o atendimento de emergência dos hospitais e dos ambulatórios, que é para onde o paciente com DPOC vai quando entra em crise respiratória”, explica. O atendimento integral, incluindo medicação, oxigenoterapia, terapia nutricional e fisioterapia respiratória, na rede pública de saúde de todo o Brasil também é outro objetivo a ser atingido. Atualmente, alguns estados e municípios brasileiros já têm protocolo de tratamento e programa de dispensação de remédios e de cilindros de oxigênio – necessários para pacientes graves. No estado de São Paulo, por exemplo, o tratamento é gratuito desde 2007 e a Secretaria Municipal de Saúde fornece oxigenoterapia domiciliar desde a década de 90. O estado do Espírito Santo e as cidades de Belo Horizonte, Brasília e Salvador também possuem programas de assistência ao paciente. “Nosso objetivo agora é expandir o acesso ao tratamento para todo o Brasil, por meio de um protocolo nacional que não só normatize e dispense o tratamento necessário para DPOC, mas também que institua serviços de referência em pneumologia com equipes multiprofissionais especializadas no SUS”, afirma Machado.

A médica pneumologista Maria Christina Machado, colaboradora da associação, informa que a parceria com a Prefeitura de São Paulo, iniciada em 2008, tem gerado bons resultados e pode servir de exemplo para outras regiões. “Hoje na cidade são 23 serviços de referência, onde o paciente é atendido por médicos especializados, recebe tratamento e orientação sobre sua doença e o uso correto de oxigênio e medicamentos em casa”, afirma. Dos quatro mil pacientes que recebem oxigênio pela prefeitura atualmente, 70% são portadores de DPOC. A médica lembra ainda que doenças pulmonares são a terceira causa de morte no município, representando 15% dos óbitos – doenças cardiovasculares e câncer são as primeiras causas, com 32% e 19%, respectivamente. A DPOC, isoladamente, corresponde a 20% do total das internações causadas por doenças respiratórias nos hospitais públicos da cidade de São Paulo (dados do CINFO, SMS 2010).

O sucesso do trabalho da associação, em conjunto com as secretarias estadual e municipal de saúde de São Paulo, pode ser observado em um estudo-piloto feito pela Dra. Maria Christina, que avaliou a taxa anual de internações por DPOC nos hospitais públicos da cidade nos últimos seis anos. Entre 2004 e 2007, foram sete mil internações por ano, a um custo de R$ 15 milhões, em média. Em 2008 e 2009, após a implementação dos programas, o número de internações anuais caiu para cinco mil e o gasto reduziu para R$ 9 milhões. O tempo médio de internação também diminuiu de nove dias, em 2004, para cindo dias, em 2009. Esses números provam que, quando o paciente é tratado adequadamente, além de economizar recursos, libera leitos nos hospitais, que podem ser utilizados por outros pacientes.

Mas a associação quer alçar voos ainda mais altos. Como a DPOC afeta todo o organismo, não só os pulmões, a entidade luta para que sejam criados mais serviços de referência com equipes multidisciplinares com médicos pneumologistas, enfermeiros, fisioterapeutas psicólogos, assistentes sociais e nutricionistas. Conseguir acesso gratuito à terapia nutricional com suplementos nutricionais específicos para pacientes com DPOC também é importante. A desnutrição no portador de DPOC está associada à maior mortalidade, mas essa situação pode ser revertida com a terapia nutricional, que, aliada à reabilitação pulmonar, ajuda a melhorar a condição física do paciente, recompondo a massa muscular e possibilitando maior autonomia para andar e realizar as tarefas cotidianas. Todas essas medidas têm como objetivo propiciar melhor qualidade de vida e maior sobrevida ao portador de DPOC. “Ainda temos muito chão pela frente, mas as conquistas obtidas até agora mostram que estamos na direção correta”, finaliza Machado.