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Câncer Câncer: Especialistas discutem evolução diagnóstica e tratamentos personalizados O tema principal do primeiro dia da oitava edição do Congresso Mundial de Cirurgia Oncológica foi a evolução da ciência na questão do diagnóstico molecular e do tratamento personalizado. Antigamente, quando se falava em tratamento de câncer, vinha logo à cabeça a imagem de um paciente bastante debilitado, muitas vezes acamado e judiado pelos efeitos colaterais. Hoje, o surgimento de novas técnicas, aliado ao avanço no conhecimento sobre o câncer e sobre os efeitos do próprio tratamento, permitem que, em muitos casos, o paciente mantenha a qualidade de vida e continue com suas atividades normais. O cirurgião do Memorial Sloan-Kettering Cancer Center (EUA), Murray Brennan, abriu o evento fazendo uma análise das novas técnicas e seus benefícios para a eficácia do tratamento. O cirurgião deu como exemplo o avanço dos diagnósticos por imagem, que deixou de ser histológico, quando a imagem era para fins apenas de localização do tumor, e passou a ser molecular, possibilitando a personalização do tratamento, o monitoramento da terapia e as análises de risco. “Agora, a sobrevida pode ser entendida pelo tipo de mutação. O diagnóstico prevê a probabilidade de resposta ao tratamento”, comentou o especialista. Brennan é um dos criadores do maior banco do mundo de pacientes com sarcoma*. Mais de 7.000 pacientes tratados no Memorial Sloan-Kettering Cancer Center, identificados por critérios como idade ao diagnóstico, tamanho do tumor, grau histológico e subtipo, e profundidade do tumor e localização. Com base nestas informações, eles desenvolveram um programa de computador, chamado de nomograma, que indica as chances dos pacientes de sobreviver ao sarcoma dos tecidos moles, pelo menos, 12 anos após seu diagnóstico. Com esta ferramenta, os médicos podem personalizar o tratamento prescrito, assegurando que os pacientes com maior risco de recidiva possam ser tratados de forma mais agressiva, enquanto que os pacientes de baixo risco possam evitar o tratamento adicional desnecessário. “Podemos prever o agora a longo prazo”, disse Brennan. Outra apresentação que chamou atenção foi a de Takeshi Sano, diretor da Divisão de Cirurgia Gastrointestinal do Instituto de Câncer do Japão. Dr. Sano apresentou o modelo de classificação do câncer gástrico utilizado no Japão, que após anos de divergência, está se alinhando aos padrões mundiais. Apesar de o mundo registrar um declínio da incidência do câncer gástrico, especificamente nos Estados Unidos, Inglaterra e em outros países mais desenvolvidos, o Japão ainda possui uma alta mortalidade pela doença. Lá, os óbitos chegam a 780 casos por 100.000 habitantes, fruto de uma relação direta com a alimentação da população, fator preponderante no aparecimento do câncer de estômago. Simpósio de Enfermagem: Sistematização garante qualidade do cuidado aos pacientes Paralelamente ao Congresso de Cirurgia Oncológica, enfermeiros discutiram o a importância do profissional de enfermagem no acompanhamento dos pacientes com câncer e da organização dos procedimentos. Segundo profissionais da área, a sistematização da assistência permite a personalização do monitoramento e garante a qualidade do cuidado aos pacientes. O VIII Congresso Mundial de Cirurgia Oncológica acontece no Rio até sábado, dia 05 de dezembro. Amanhã, será a vez de especialistas internacionais e nacionais abordarem as novidades em câncer de mama, cuidados paliativos e robótica.
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