Câncer de pele
Projeto da USP São Carlos vai expandir tratamento de câncer de pele

Kit será distribuído em 100 localidades para tratar oito mil pacientes

Um projeto pioneiro desenvolvido por pesquisadores da USP-São Carlos (a 230 km de São Paulo) pode expandir o tratamento de câncer de pele em todo o Brasil. Um kit de equipamentos pesando apenas 1,5 kg, acondicionado em uma mala, será distribuído em 100 localidades no país para o tratamento de oito mil pessoas ao longo de um ano. O projeto recebeu R$ 3,2 milhões do BNDES para produção do kit, compra de medicamentos e treinamento de pessoal.

Vanderlei Salvador Bagnato, professor titular do Instituto de Física da USP, explica que o equipamento do kit realiza o diagnóstico por meio de florescência óptica. O paciente recebe então uma pomada no local do câncer e outro equipamento emite luz para provocar a reação, que elimina as células do tumor. “O tratamento chama-se terapia fotodinâmica e vem recebendo enorme receptividade em todo mundo”, explica o pesquisador. Ele lembra que a equipe não inventou a terapia fotodinâmica: “mas investimos muito para adequá-la à realidade do país".

O câncer de pele é o de maior incidência na população brasileira e com o aumento de expectativa de vida no país, deve se expandir ainda mais nos próximos anos. “Estamos tentando fazer ciência com responsabilidade social, desenvolvendo uma tecnologia que pode chegar a toda sociedade, e não apenas a quem pode pagar”, esclarece Bagnato.

Os equipamentos serão distribuídos inicialmente em regiões com maior incidência da doença, inclusive nas áreas rurais. A tecnologia desenvolvida pelos pesquisadores de São Carlos já chamou a atenção de autoridades médicas de outros países, como Paquistão, Argentina e Venezuela.

O tratamento já foi testado em mais de 2.500 lesões de câncer de pele. “Essa tecnologia resolve 70% dos casos de pequenas lesões. Quer dizer, pode ser aplicado a cerca de 70 mil pacientes em todo o país, que não precisarão mais se deslocar para os grandes centros”, destaca.

O projeto tem apoio do Centro de Pesquisa em Óptica e Fotônica e Instituto Nacional de Óptica e Fotônica, com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e conta com o trabalho de 40 pesquisadores (alunos, profissionais e técnicos) e empresas do município.